Exibições do filme Shoah de Claude Lanzmann na Fundaj

Shoah de Claude Lanzmann é um evento cinematográfico e histórico importante sobre o genocídio cometido pelos nazistas contra o povo judeu. Onze anos de trabalho dos quais três anos e meio de investigação em quatorze países diferentes, dezenas de testemunhas encontradas, trezentos e cinquenta horas de filmagem...

Claude Lanzmann encontrou sobreviventes judeus dos campos de extermínio. Ele perseguiu os nazistas que se esconderam e conseguiu filmá-los clandestinamente. Ele voltou nos lugares, nas aldeias limítrofes de Chelmno, Ponari, Treblinka, Sobibor, Auschwitz, para interrogar as testemunhas polonesas. Nem uma ficção – todos os protagonistas tiveram um contato direto com os campos -, nem um documentário – não se trata de uma compilação de lembranças-, Shoah é um filme da memória. Sem recorrer aos documentos de arquivos nem as imagens chocantes, Shoah (“aniquilamento”, “destruição”, em hebraico) desmonta as mecanismos da “solução final”.

Simone de Beauvoir escreveu em 1985 sobre o filme: “Nos lemos, depois da guerra, uma quantidade de testemunhas sobre os guetos, sobre os campos de extermínio; nos ficamos perturbados. Mas vendo hoje o filme extraordinário de Claude Lanzmann, nos sentimos que nos não tínhamos visto nada. Apesar de todos nossos conhecimentos, a horrorosa experiência ficava a distância de nós. Pela primeira vez, nós estamos vivendo-a em nossa cabeça, nosso coração, nossa carne. Nunca eu teria imaginado uma tal aliança do horror e da beleza.”

Shoah recebeu treze Prêmios internacionais do melhor documentário, do qual um Cesar em 1986, o Prêmio do festival de Roterdã em 1986 e dois Prêmios BAFTA (British Academy of Film and Television Arts) em 1987.

Claude Lanzmann nasceu em Paris no dia 27 de novembro de 1925. Em 1952 ele encontrou Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir e entrou no Comitê de redação da revista “Les Temps Modernes”, que ele dirige atualmente. Seu primeiro filme, Porque Israel ?, em 1973, é a travessia subjetiva de um estado, de uma memória e de uma condição: que significa “ser judeu?” Quase trinta anos depois as Reflexões sobre a questão judaica de Jean-Paul Sartre, Claude Lanzmann iniciou um questionamento que o extermínio dos Judeus durante a segunda guerra mundial, e o nascimento de Israel, modificaram. Ele persegue com Shoah, considerado como uma obra fundadora, um evento cinematográfico importante e recebido como um choque pelo mundo inteiro na sua estreia em 1985. Em 1994, Lanzmann dedicou um filme ao exército de Israel, Tsahal. Em 1997 e 2001 com Sobibor, 14 de outubro de 1943, 16 horas, e Um vivo que passa, ele continua o trabalho começado com Shoah. Ele recebeu a medalha da Resistencia, Oficial da Legião de honra, Comandante da ordem nacional do mérito. Doutor Philosophiae Honoris Causa da Universidade Hebraiqua de Jerusalem, Claude Lanzmann é considerado atualmente como um cineasta único e incontornável.

Informações práticas :
Exibições de Shoah (1985) – 9h26min

- 29 de novembro às 13h30
- 9 de dezembro às 13h

Cinema da Fundação Joaquim Nabuco
Rua Henrique Dias, 609, Derby

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publicado em 18/01/2017

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