Curso "Experiências Temporais com Imagem"

Curso "Experiências temporais com imagens" (fotografia, cinema e vídeo) com Philippe Dubois, pesquisador da imagem e professor da Universidade Sorbonne Nouvelle - Paris 3.

O PPGCOM-UFPE, em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco e o Consulado Geral da França em Recife, realiza o curso Experiências temporais com imagens (fotografia, cinema e vídeo) com Philippe Dubois, pesquisador da imagem e professor da Universidade Sorbonne Nouvelle - Paris 3.

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De 16 a 20 de abril na Fundaj-Derby, Dubois vai discutir as interseções entre imagens em movimento e estáticas, questionando seus regimes de velocidade e modo de funcionamento, principalmente no contemporâneo.
O curso será ministrado em francês e contará com tradução consecutiva.

Serão ofertadas 50 vagas, entre elas 10 serão direcionadas para alunos cotistas (a avaliação será feita pela renda mensal familiar e como critério de desempate usaremos a autodeclaração por cor).

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Apesar de termos o hábito de automaticamente opor o mundo da imagem fixa ao da imagem em movimento, como se esta fosse uma separação estabelecida e estável, de uma história dada, que coloca de um lado a foto (herdeira do século XIX) e de outro o cinema (a arte do século XX), pretendo interrogar tal questão estética de uma forma mais aberta e atualizada (estamos no século XXI), questionando a respeito dos regimes de velocidade das imagens, sua instabilidade e seu modo de funcionamento. Insistirei principalmente no contemporâneo. E refletirei sobre as diferentes experiências temporais das imagens, passando pela fotografia, pelo cinema, pelo vídeo e pela instalação.
De fato, a paisagem visual e teórica nesse aspeto evoluiu muito nos últimos trinta anos. Nos anos 1970-1980 as coisas pareciam bastante claras: de um lado Roland Barthes impunha o conceito de ‘punctum’ colocando a fotografia em oposição ao cinema (com todo o corolário da pose/pausa, o tempo morto, a parada sobre a imagem, o efeito mortífero da tomada, etc.). De outro lado, a filosofia bergsoniana-deleuziana do cinema impunha os conceitos de ‘imagem-movimento/imagem-tempo’, que se baseava ainda inteiramente sobre a ideia de que o filme é um desenrolar contínuo de imagens, reproduzindo o movimento aparente (também com seu corolário: o fluxo, o choque, a fugacidade das imagens, etc. – e as dificuldades que traziam ao analista do filme : como parar o rio ?). Como se o móvel e o imóvel, o fixo e o movente, só pudessem existir em uma relação de exclusão recíproca. Era necessário escolher (seu campo). Isso é bastante evidente.

O que aconteceu depois é o que me interessa.

Nos anos 1990-2000 e apenas atualmente podemos ter toda a dimensão teórica disto, sob os efeitos do vídeo, inicialmente, e, a seguir, do digital, os regimes temporais das imagens ficaram consideravelmente mais elásticos, tornando estas divisões cada vez mais obsoletas ou indiscerníveis. É, sem dúvida, uma das principais características da imagem contemporânea a mudança de velocidade a todo tempo, a passagem de um estado a outro, de forma adaptável, por variações contínuas, sem ruptura nem mudança de natureza. Hoje, o movimento não se opõe mais radicalmente à fixidez, como fossem dois mundos contraditórios. Não estamos mais no jogo da « fotografia versus o cinema ». Estamos além. Sempre entre os dois. Na forma de imagens (como nomeá-las, afinal?) que ultrapassam essas separações do último século. Entramos na era da mudança de velocidade permanente. Estamos, por exemplo, no móvel imóvel (a pose longa, o panorama, etc.) ou no desacelerado-acelerado (não conseguimos nem mesmo diferenciá-los) sistemático. Claro está, não são formas « novas ». Somente elas tendem a se tornar uma norma (finalmente Marey pode estar superando Lumière!).

publicado em 13/04/2018

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