Atentados em Paris- Discurso do Presidente da França, François Hollande

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Discurso do Presidente da França, François Hollande, no Parlamento francês

[trechos – tradução livre]

Versalhes, 16 de novembro de 2015

“A França está em guerra. Os atos cometidos nessa sexta-feira à noite em Paris e perto do Stade de France são atos de guerra. Eles fizeram ao menos 129 mortos e inúmeros feridos e representam uma agressão contra nosso país, contra seus valores, contra sua juventue, contra seu modo de vida.

Eles são a ação de uma guerrilha jihadista, Daech [=Estado Islâmico], que combatemos porque a França é um país de liberdade, porque nós somos a pátria dos Direitos do Homem.

Em um período de tamanha gravidade, quis dirigir-me a este Parlamento para fortalecer a união nacional face tal abominação e para responder com a fria determinação que convém a esse ataque ignóbil do qual nosso país foi alvo.

[...]

Os terroristas acreditam que os povos livres deixar-se-ão impressionar pelo terror. Enganam-se. A Repúplica Francesa já superou outros grandes desafios. Ela ainda vive, e bem! Os que a desafiaram sempre foram os perdedores da história. É o que acontecerá novamente agora. O povo francês é um povo vibrante, valente, corajoso, que não se resigna e que se levanta a cada vez que um de seus filhos cai.

[...]

O inimigo se vale dos recuros mais vis na tentativa de matar. Porém, por mais que pareça, eles não são inatingíveis.

[...]

Nessa sexta, foi toda a França que foi alvo dos terroristas. A França que ama a vida, a cultura, o esporte, a diversão. A França sem distinção de cor, origem, localidade, religião. A França que os assassinos quiseram matar foi a juventude em toda sua diversidade. A maioria dos mortos não tinham sequer 30 anos. Mathias, Quentin, Nick, Nohemi, Djamila, Hélène, Elodie, Valentin... foge-me certamente o nome de tantos outros... Que crime cometeram? O de estarem vivos.
O alvo dos terroristas foi a França aberta ao mundo. Dezenas estrangeiros estão entre as vítimas, representando 19 nacionalidades amigas diferentes.

[...]

Estamos diante de uma organização, o Daech, que dispõe de um certo território, de recursos financeiros e militares. Desde o início do ano, os terroristas do Daech fizeram ataques em Paris, na Dinamarca, na Tunísia, no Egito, no Líbano, no Kuwait, na Arábia Saudita, na Turquia e na Líbia. Ele comete massacres diariamente e oprime populações.

É por essa razão que a necessidade de destruir o Daech é uma questão que diz respeito a toda comunidade internacional. Em função disso, pedi que o Conselho de Segurança reúna-se assim que possível, para adotar uma resolução manifestando essa vontade comum de lutar contra o terrorismo.

Até lá, a França intensificará suas operações na Síria.

[...]

Os mandantes desses atentados de Paris precisam saber que seus crimes, longe de abalar a posição da França, apenas reforçam ainda mais nossa determinação de destruí-los.

[...]

Não se trata, portanto, de inibir, mas de acabar com essa organização, tanto para salvar as populações da Síria, do Iraque, do Líbano, da Jordânia, de todos os países vizinhos, mas também para nos protegermos, para evitar que eles venham ao nosso país cometer atos terroristas, como foi o caso nessa sexta.

[...]

Em minha determinação de combater o terrorismo, desejo que a França possa continuar a ser ela mesma. Os bárbaros que a atacaram queria desfigurá-la? Pois eles não conseguiram mudar sua expressão. Eles não conseguirão jamais ferir a alma francesa! Jamais eles nos impedirão de viver, de viver como nós decidimos viver, viver plenamente, livremente; e devemos demostrar isso com sangue-frio. E penso na juventude, na juventude que se sente atingida através de todas essas vítimas e que se questiona sobre sua capacidade de poder viver em um Estado de Direito.

Nós devemos continuar a trabalhar, a sair, a viver, a influenciar o mundo e é por isso que a grande conferência internacional que é a Conferência do Clima não só será mantida como será um momento de esperança e solidariedade. De esperança, porque se trata simplesmente do futuro do planeta; e de solidariedade, porque reunirá mais de cem chefes de estado que estarão aqui para negociar um acordo sustentável, vinculante, um acordo diferenciado, que nos permita viver e que garanta que nossos filhos e netos possam continuar a ter o planeta que receberam como herança. Mas eles virão também dizer à França, país de liberdade, o quanto o mundo inteiro é solidário, o quanto o mundo inteiro deve também mobilizar-se para lutar contra o terrorismo.

[...]

Nós erradicaremos o terrorismo porque os franceses querem continuar a viver juntos sem temer em nada seus semelhantes. Nós erradicaremos o terrorismo porque valorisamos a liberdade e a influência da França no mundo. Nós erradicaremos o terrorismo para que a França continue a mostrar caminhos. O terrorismo não destruirá a República pois será a República que o destruirá.
Viva a República! Viva a França!”

publicado em 11/04/2016

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